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Fotografia

Como fotografar pessoas?

Postado em Fotografia
on fevereiro 12, 2017

Essa é de longe a pergunta que mais ouço desde que ingressei no mundo da fotografia. Acredito que isso gera dúvidas não só por questões técnicas, mas também porque lidar com pessoas é sempre complicado em qualquer profissão, e na área da fotografia isso não poderia ser diferente. Lembro que nos meus primeiros ensaios eu costumava ficar muito mais tímida do que os clientes, isso porque eu tinha uma grande dificuldade em “criar laços” com eles a fim de estabelecer uma boa relação e fazer um bom trabalho. Pode até parecer meio exagerado me expressar assim, mas acreditem quando eu digo que ninguém ~ absolutamente ninguém ~ gosta de ser fotografado por alguém que simplesmente chega pra fazer o serviço, faz o que tem de fazer e ponto final. Ué, mas não é isso que todo fotógrafo faz? NÃO. A coisa é bem diferente prática.

Uma das coisas que mais me ensinaram sobre fotografar pessoas é que antes de capturar a “imagem física”, você  tem a responsabilidade (enorme) de capturar o interior, a essência, aquilo que a pessoa é ou o momento que ela vive. E pra chegar nesses pontos cruciais, é preciso que você conheça melhor a pessoa que está fotografando, nem que seja só por alguns momentos. Deixo claro que criar laços com o cliente não quer dizer que vocês precisam virar bests friends ou passear juntos pelo shopping no domingo, e sim que vocês precisam gerar uma confiança mútua, pra que ele confie no seu trabalho e você consequentemente, trabalhe melhor por se sentir à vontade com ele. Parece difícil, mas tem umas coisinhas que ajudam muito:

1. Conversar: Sim. Não tô falando de jogar conversa fora, mas sim de se conhecer e conversar sobre o que vocês podem fazer pra ter o melhor resultado possível nas fotos. Pergunte ao seu cliente como ele se vê agora e como ele gostaria de se ver nas fotos, pergunte o que ele quer passar com as imagens, o que ele gostaria de registrar, como ele gostaria de registrar… se possível tente apresentar pra ele suas ideias e faça também uma combinação das ideias de ambos, porque isso vai fazer com que ele perceba sua dedicação/competência e ao mesmo vai se sentir feliz porque você estar aceitando as ideias dele também.

2. Observar: Observe tudo, sempre. Vai fotografar uma mulher? Um homem? Um casal? Não importa. Observe o comportamento, o que há de mais bonito na pessoa, um detalhe que seria interessante pôr em evidência… eu entendo que são coisas realmente difíceis de fazer no começo, mas com o tempo o olhar da gente se acostuma. Observar é crucial na vida de um fotógrafo, porque a câmera não faz tudo sozinha né? Ela apenas registra a imagem que você, com seu olhar fotográfico, constrói. Exercitar isso é importantíssimo!

3. Deixar à vontade: A direção de fotografia nessas horas tem quer feita com bastante cautela. Eu particularmente adoro fotos espontâneas, mas já fotografei muitas pessoas que faziam inúmeras poses naturalmente e facilitavam bastante o meu trabalho. Quando você não tem a sorte de encontrar alguém assim, que se sinta à vontade diante de uma câmera, procure deixar a pessoa o mais à vontade possível. É aí que entra também o primeiro ponto que eu citei, a conversa. Mostre que a câmera é apenas um elemento a mais na história, e que na verdade vocês é que vão construir as imagens juntos. Não intimide nunca!

4. Tenha paciência: Fotografar pessoas não é fotografar paisagens. Pessoas se mexem, fecham os olhos, reclamam do sol, do frio, da chuva, das fotos que você tira, das poses que você pede pra elas fazerem… enfim, trabalhar com gente é complicado. Mas saiba se impôr com cautela que tudo dá certo, porque mesmo que você esteja sendo pago pelo seu trabalho e o cliente use isso como desculpa, nada justifica grosseria e desrespeito. Mostre que o resultado do processo não está só nas suas mãos e que vocês devem se ajudar pra fazer as coisas darem certo!

5. Faça com amor! Ame o que você faz, e não vise apenas o dinheiro na sua conta. Qualquer profissão precisa ser exercida com amor e dedicação pra que haja resultados positivos né? Se você não curte fotografar e faz isso apenas pelo ~money (não sei se existem fotógrafos assim né, mas…), sinto muito, mas você está destruindo a sua carreira e estragando o momento de alguém. Ninguém fotografa bem quando não está a fim, mesmo que o equipamento seja o top de linha mais desejado do momento. Então, evite transtornos futuros e mude de profissão o mais rápido possível se você estiver nessa vibe!

Volto essa semana com post novo, prometo! Até breve :*
PS: As fotos desse post são de um ensaio que eu fiz semana passada… foi um trabalho maravilhoso!

Primeiras aventuras fotográficas de 2017

Postado em Cotidiano, Fotografia
on janeiro 14, 2017

Eu tinha prometido pra mim mesma que só ia aparecer por aqui no início da próxima semana com um post bem mais completo sobre esse assunto, mas como toda pessoa ansiosa que se preze, definitivamente não deu pra esperar. Essa semana minhas aulas recomeçaram (sim, assisto aula em janeiro também, porque estudante de universidade federal tá aí pra sofrer na vida mesmo) e lá no laboratório de fotografia onde trabalho como estagiária já começamos o ano fazendo vários experimentos. A primeira aventura foi com os Fotogramas, coisa que já faz parte do cotidiano do lab faz muito tempo, mas o fato é que quanto mais a gente pesquisa, mais surgem coisinhas novas pra se experimentar né, e perder oportunidades é sempre um grande absurdo, sobretudo no meio acadêmico.

Então, pra quem não sabe, Fotograma nada mais é do que o processo de produção/revelação de imagens sem o uso obrigatório de uma câmera fotográfica, onde (no resumão mesmo) você coloca um objeto (ou material) em contato com uma superfície fotossensível e expõe à luz, pra daí em diante partir para a parte química do processo que envolve os reveladores/fixadores, o banho do papel e etc.; Lá no lab temos o costume de trabalhar construindo texturas com objetos e também com negativos de imagens digitais (aquela velha invertida lá no photoshop sabe?), porque assim dá pra fazer todos os testes com mais calma e o custo-benefício é bem melhor… na verdade quase tudo lá a gente faz de maneira bem artesanal mesmo, inclusive fomos nós mesmos (os alunos) que montamos todo o laboratório 🙂

As fotos estão horríveis porque foram tiradas com o celular, e a luz ambiente também não favorecia. Sorry!

Eu não tenho como mostrar com mais detalhes todos os resultados obtidos com o Fotograma essa semana porque todo mundo que participou levou a sua imagem revelada pra casa, então eu só posso mostrar o resultado das minhas. Fiz um teste com papel vegetal (usei ele como negativo) e consegui revelar três imagens maravilhosas que eu achava que não iam dar certo, pois pelo fato do papel ser mais transparente, podia acontecer uma superexposição (passagem excessiva de luz) no papel fotossensível. Felizmente deu tudo certo e eu consegui três fotinhas lindas que posteriormente serão emolduradas e colocadas na parede do meu quarto:

A terceira imagem tem essa cor de café porque ela foi feita em um tipo de revelador diferente que leva, adivinhem só, CAFÉ! Isso mesmo. Esse projeto lá do lab é chamado de Caffenol e estava sendo mantido por outros alunos (colegas do coração) que já se formaram, mas como ainda temos acesso a receita, passamos a semana experimentando. O revelador dessa técnica é feito com vitamina c, café solúvel e bicarbonato de sódio, e o fixador é o tiossulfato de sódio (geralmente ele é a solução base para todos os fixadores). Acredito que umas das coisas que me fizeram cair de amores pela fotografia foi justamente essa liberdade de experimentação (tá certo escrever isso gente?) que ela permite. Pense numa coisa gostosa de pesquisar, de testar, de viver!

Eu particularmente sou apaixonada por esse universo experimental que eu passei a conhecer dentro da universidade. Já estou nesse lab há quase 3 anos e nunca me arrependi ou tive dúvidas a respeito do que eu queria, pois tive tempo suficiente pra ponderar e colocar em pratos limpos os meus anseios profissionais. Tive algumas dificuldades durante o curso, claro, e isso é perfeitamente normal. Mas felizmente a fotografia me salvou e trouxe o “equilíbrio acadêmico” que eu estava precisando, haha! Pra terminar, tem aqui uma fotinha linda do nosso “varal” com alguns dos resultados que o pessoal conseguiu no dia dos experimentos:

Lindo né? Adoro ver esse varal cheio das coisa ♥
Tá tudo meio “mal feito” porque tivemos que montar o lab por nossa conta, sabe? Pintamos até as paredes da sala escura sozinhos, por isso ela tá assim sem acabamento… mas o que importa é que tudo foi feito com bastante amor e carinho! E vocês? Tem alguma experiência com revelação fotográfica ou curtem o assunto? Me contem!